Mineradora Onça Puma, da Vale, demite 300 funcionários em Ourilândia do Norte

Demissões ocorreram devido ao fechamento do projeto que atua na extração de níquel de ferro na região. Ela é acusada de ter contaminado rios que cortam duas aldeias indígenas. 

A mineradora Vale demitiu 320 funcionários do projeto Onça Puma, em Ourilândia do Norte, nordeste do Pará, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) manteve suspensas as atividades. A empresa é suspeita de ter contaminado um rio que corta uma terra indígena na região. Na decisão expedida em março, a Vale divulgou uma nota afirmando que iria recorrer e afirmou “a inexistência de danos gerados pela atividades de mineração, o que já foi comprovado por sete laudos periciais”.

Com a suspensão das atividades da mineradora, o município de Ourilândia do Norte deixou de arrecadar mais de R$ 20 milhões em impostos por ano, por isso todas a obras municipais foram paralisadas, além de planejar a demissão de 250 servidores, o fechamento de uma escola e dois postos de saúde da zona urbana.

Segundo a prefeitura, a perda de R$2 milhões de receita no mês inviabiliza vários serviços prestados a comunidade. Com isso Hospital Regional com 120 leitos que atenderia os municípios de Xinguara, Agua Azul do Norte, Ourilândia, Tucumã e São Felix do Xingu não será mais construído.

Em nota, a Vale negou as acusações de contaminação ambiental e disse que possui laudos que demonstram que a poluição dos rios não está ligada à atividade mineral na região. A mineradora ressaltou ainda que repassou todos os recursos acordados à Prefeitura de Ourilândia do Norte e informou que está recorrendo na Justiça para manter o projeto Onça Puma funcionando.

Entenda o caso
As atividades da mineradora Onça Puma, da Vale, cercam três aldeias Xikrin, da região do Caeté, entre as cidades de Ourilândia do Norte, Parauapenas e São Félix do Xingu, no sudeste do Pará. No total, 14 empreendimentos extraem cobre, níquel e outros minérios.
beneficiamento do níquel, chamado Onça Puma, foi implantado sem o cumprimento da legislação ambiental, mesmo em sete anos de atividade, e contaminou com metais pesados o rio Caeté.

Cerca de 1.300 indígenas Xikrin vivem na região, além do povo Kayapó, que também foi atingido pelo empreendimento. Foram registrados casos de má-formação fetal e doenças graves comprovadas em estudos e que agora estão sendo analisados por peritos da Justiça.

O processo que busca assegurar as compensações aos indígenas tramita desde 2012

Fonte: G1/Pará

Compartilhe isso: